CANOA FURADA
Olá, minhas colegas Uatisdis! Ontem, proferi uma palestra no flog Workaholicarol, para algumas amigas que precisavam de internamento imediato...
Colocarei aqui integralmente minha fala... bjooo
"Garota do protocolo: Boa noite! Bem-vindas a mais uma noite de palestras aqui no flog Workaholicarol. A dona do flog cedeu seu espaço para o IX Ciclo Nacional de Psicanálise Feminina patrocinado pelo Institute Uatisdis of Research Corporation Inn. Como interlocutora da noite, Dra. Pagu, psicanalista renomada, com diversas publicações no blog Uatisdis. Com vocês, Dra. Pagu!
(aplausos)
Dra. Pagu: Boa noite a todas! Vou ser direta. Vou falar da importância das mulheres libertarem-se de relações predatórias e de homens que se comportam como parasitas comensais. Em meus primeiros artigos, falei muito sobre a Condição Pós-Moderna do Banho-maria – estado depreciativo que consome a auto-estima da mulher que se encontra nessa circunstância (mulheres que são colocadas no “banco de reservas” a espera de um dia ser a titular de seu parceiro). Falei também dos problemas psicológicos daqueles que sujeitam outras pessoas a vivenciarem o “banho-maria”. Mas hoje, minhas caras, vou tratar de um novo objeto de pesquisa. Vou falar do mal que assola cada vez mais a vida das minhas clientes (por sinal, no final da palestra, serão distribuídos cartões com o endereço do meu consultório). E esse mal é a Canoa Furada! Sim, este vem se tornando um problema constante no universo feminino. Por causa das canoas furadas, o índice estatístico de divórcios aumentou nos últimos anos, assim como o número de mulheres que optaram por ficarem solteiras ou tornarem-se lésbicas.
Canoas furadas são relacionamentos que não têm futuro. Mas o principal vetor desse processo é o lado oposto da equação, ou seja, o portador do falo, o sexo menos frágil, o homo sapiens masculino. Para facilitar o entendimento de tal tragédia, este mesmo elemento também pode ser chamado de canoa furada. Bem, elas são muitas. Posso enumerar aqui rapidamente alguns espécimes já catalogados: homens mulherengos (galináceos); homens que têm medo de compromisso; homens que são jovens (ou infantis) demais; que estão sempre passando por crises existenciais; carentes demais; relapsos demais; existem os boçais; os estúpidos; os sem-rumo; os sem ambições na vida; aqueles que ainda estão presos às mães; presos a antigas relações; workaholics; ratos de biblioteca; arrogantes; brutamontes; ogros (ou orcs urukais, como já havia anunciado John Ronald Reuel Tolkien em 1954, quando foi publicado a trilogia Senhor dos Anéis); pitbulls; encrenqueiros, etc. Enfim, todos homens problemáticos, com pendências & pendengas afetivas.
São estes seres que nos fazem andar para trás, voltar no tempo, ir de encontro à evolução (e não a favor dela). Eles não acrescentam nada ao histórico de relacionamentos. A não ser, lapsos temporais e lacunas sentimentais. Fica nos registros mentais das mulheres o sofrimento, o desgaste, as lágrimas, as noites sem sono e sonhos perdidos.
A minha missão aqui é fazer com que vocês atentem para o fato de viverem em canoas furadas e como livrar-se delas.
Imagino que todas vocês questionam o porquê de tantas canoas furadas gostarem de perder tempo com jogos. Não, não estou falando de jogo de futebol (apesar de torcedores fanáticos serem canoas semi-naufragadas), nem de jogos de carta (mas jogos de pôquer são péssimas desculpas para largar uma namorada sozinha no fim-de-semana à noite) ou mesmo de jogos de videogame (aqui um caso para se questionar a maturidade de seus alvos amorosos). Falo dos “joguinhos”. Dos colóquios flácidos (conversa mole). Dos testes. Homens adoram por mulheres à prova. Testar seu ciúme, conferir suas prioridades, ou simplesmente atordoar as mulheres. Não importa o quanto você diga que gosta deles, que demonstre... Eles sempre querem testar a sua paciência e sua tolerância com joguinhos psicológicos. E mais: se ele diz coisas como “você está linda hoje” e você retruca um “aposto que você diz isso pra todas”, acredite, ele diz! Há muito tempo que essa afirmação deixou de ser apenas um recurso de retórica para tornar-se um FATO. E provavelmente, ele concorde internamente: “sim, sua trouxa”!
Me desculpem pelo balde d´água-fria. Mas essa é minha função social: estalar os dedos diante do transe romântico de minhas leitoras/ouvintes. Faz parte da condição humana feminina sofrer, torturar-se e justificar o amado. Se ele faz algo errado, temos algo na ponta da língua para explicar uma ausência, uma grosseria, um deslize qualquer. E “a mulher super-interpreta tudo” (DOTY, Tofuh, 2007). Qualquer sinal de arrependimento ou “boa-ação” do ser é tomada como prova cabal de reciprocidade de sentimentos.
Eu recomendo a minhas pacientes que o primeiro passo para a cura (desses relacionamentos catastróficos) é a aceitação de que se vive em uma canoa furada. O segundo passo é a ação. E no final das contas, é tão fácil. Seguir em frente é fácil! Pode ser dolorido, mas esquecer não é um processo tão complicado. É tudo uma questão de auto-controle e bom senso. Afinal, um dia você já viveu sem essa pessoa. Por que agora ela tornou-se fundamental?
Bem, não vou me prolongar mais... já deu minha hora. Mas resumindo: não vou dar receitas aqui de como sair dessa. Cabe a cada uma aceitar seu destino ou contrariá-lo. As mulheres tem que parar um pouco de choramingar e pensar no que é melhor pra si. Relacionamentos devem ser agradáveis, prazerosos, construtivos. Quando ele não é assim, cabe a uma parte deste decidir se aceita esse tipo de “contrato implícito” com a outra pessoa.
Sejam felizes, minhas amigas!!! Que Freud esteja com vocês!!"