>>>UATISDIS???

Em março de 2004, cinco amigas resolveram descrever seu cotidiano e publicá-lo pra quem quisesse ler. A idéia surgiu após perceberem que as situações vividas eram muito engraçadas e dignas de serem gravadas e lembradas. Na época cursavam o 4º ano de Jornalismo, respiravam e viviam seus tcc's. O estresse era constante e as incertezas do futuro faziam com que o blog fosse parte de um refúgio, assim como as festas que alguma delas não deixavam de ir.

quarta-feira, setembro 19, 2007

Porque minha irmã é psicóloga!


-Bom dia gEnte! Meu nome é ValdomiRa, sou professora do Departamento de Pedagogia e estou aqui para dar a disciplina de P-S-I-C-O-L-O-G-I-A da Comunicação. Gosto muito desse assunto... pois minha iRmã é formada em “Pisicologia”... [silêncio]

Todos devem se lembrar da inesquecível apresentação da nossa querida professora Valdomira. Como sempre se imagina, nossos mestres existem para marcar nossas vidas de tal forma que nos fazem pensar que, talvez, sem eles, viveríamos como “baratas mal matadas”[sic].

São verdadeiras lições de vidas! Saber que na verdade nada se sabe e, então, se questionar com humildade se “essas crianças estão erradas?” e responder prontamente: “claro que sim! Lógico que não!” À minha grande mestre Valdomira, que me ensinou que “uma motivação quando é frustrada é pior que uma não-motivação” uma pequena homenagem, que publico a seguir.

Explicação: Assistindo aos quadros do Terça Insana no YouTube, me deparei com o personagem Ardebal Jurema que me remeteu às lembranças da aula da querida professora. Um carinhoso abraço à filhos Mônica e ao Maurício.


quarta-feira, maio 16, 2007

Cara Ser do Além.

Receio decepcioná-la, mas não há uma fórmula certa para se defender de canoas furadas.
Há meios, sim, de evitá-los. Mas essa é uma tarefa difícil. O certo é não esperar demais para não se decepcionar, essa é a questão. Homens têm um cerébro bem mais primitivo que o nosso, ou seja, bem mais direto. Eles não compreendem insinuações, infelizmente. Portanto, aconselho que deixe suas inteções bem claras. Dessa forma, ele saberá o que você espera dele.
Espero que tenha ajudado.

sexta-feira, maio 04, 2007


Boa noite, senhoritas!

Fui convidada a comentar a palestra da Dra Pagu. Sou Ruby Tuesday, PHD em Superalogia - A ciência da superação.

Após ler as palavras da minha amiga Pagu cheguei à conclusão de que há realmente um problema sério das mulheres com as canoas-furadas. Eu mesma já fui vítima da síndrome que acomete 10 em cada 10 mulheres e creio, com bastante certeza, de que ultrapassar essa fase faz parte do crescimento humano da mesma forma que uma criança queima o dedo no fogão - mesmo depois do alerta da mãe - mas que aprende a tomar mais cuidado.
Tudo bem, o exemplo foi simplório. No entanto, considero que as vítimas da canoa-furada, assim como a criança, estão cansadas de ouvir apelos das amigas para que evitem o objeto de desejo para não se machucarem. É óbvio que todo e qualquer alerta é dispensado, como já comprovada na teoria do "entra por um ouvido e sai por outro". Enfim, já diz o ditado: o amor é cego.
Depois de superar qualquer crise e encontrar alguém que realmente me respeita, penso estar livre para tecer comentários a respeito das inquietações levantadas por Dra Pagu.
Sei que ouvirei protestos, mas a verdade é que toda mulher que cai na conversa de uma canoa-furada o faz porque quer. Não restam dúvidas.
Se reclamam que a canoa-furada não lhes dá atenção, não conseguem enxergar o óbvio. O ser definitivamente não está interessado em manter contato. Mesmo assim, ínumeras vezes e de várias formas a mulher insiste em procurá-lo. Inconscientemente está tentando se fazer presente. Afinal, se ele tivesse vontade de encontrá-la, não seria problema e sim a solução. Quantas vezes ao dia o sexo feminino não se tortura vasculhando recados, fotos e qualquer outro resquício de atividade do objeto de desejo? Uma simples frase no MSN tira o sono e destrói neurônios de tanto pensar no que ele quis dizer. Convenhamos, homens não são de fazer jogos e provocações subjetivas com interesse de deixar uma mensagem. A mente deles é completamente lógica e simples. Podem até querer provocar ciúme, mas deixam bastante clara a intenção.

Se ele deixa recados para dezenas de mulheres no orkut, é evidente que ele está caçando e não faz a mínima idéia do quanto pode magoar quem o ama. Pode até lhe considerar, porém não tem intenções de estabelecer algo claro com você. Muitas vezes ele está apenas confuso. Mas é bom não se iludir.

Canoas-furadas, na verdade, deixam bastante evidente a que grupo de homens pertencem. Eles fogem, mentem, desaparecem e voltam. Sim, eles voltam, mas só porque sentem que você está disponível.

Diante disso, está na hora de se dar mais valor. Esqueça esse papo de “não quero perder a amizade com ele” e corte relações. Apague fotos, e-mails, MSN, número de celular e jogue fora cartas e bilhetes. Não se mostre vulnerável com a possibilidade de perdê-lo. No entanto, se estiver certa de que ele pode valer a pena: abra o jogo e mostre o que sente. A vida é só uma e ficar apenas no “se” pode causar enfartos e envelhecimento precoce.

quinta-feira, abril 26, 2007

CANOA FURADA

Olá, minhas colegas Uatisdis! Ontem, proferi uma palestra no flog Workaholicarol, para algumas amigas que precisavam de internamento imediato...

Colocarei aqui integralmente minha fala... bjooo


"Garota do protocolo: Boa noite! Bem-vindas a mais uma noite de palestras aqui no flog Workaholicarol. A dona do flog cedeu seu espaço para o IX Ciclo Nacional de Psicanálise Feminina patrocinado pelo Institute Uatisdis of Research Corporation Inn. Como interlocutora da noite, Dra. Pagu, psicanalista renomada, com diversas publicações no blog Uatisdis. Com vocês, Dra. Pagu!

(aplausos)

Dra. Pagu: Boa noite a todas! Vou ser direta. Vou falar da importância das mulheres libertarem-se de relações predatórias e de homens que se comportam como parasitas comensais. Em meus primeiros artigos, falei muito sobre a Condição Pós-Moderna do Banho-maria – estado depreciativo que consome a auto-estima da mulher que se encontra nessa circunstância (mulheres que são colocadas no “banco de reservas” a espera de um dia ser a titular de seu parceiro). Falei também dos problemas psicológicos daqueles que sujeitam outras pessoas a vivenciarem o “banho-maria”. Mas hoje, minhas caras, vou tratar de um novo objeto de pesquisa. Vou falar do mal que assola cada vez mais a vida das minhas clientes (por sinal, no final da palestra, serão distribuídos cartões com o endereço do meu consultório). E esse mal é a Canoa Furada! Sim, este vem se tornando um problema constante no universo feminino. Por causa das canoas furadas, o índice estatístico de divórcios aumentou nos últimos anos, assim como o número de mulheres que optaram por ficarem solteiras ou tornarem-se lésbicas.

Canoas furadas são relacionamentos que não têm futuro. Mas o principal vetor desse processo é o lado oposto da equação, ou seja, o portador do falo, o sexo menos frágil, o homo sapiens masculino. Para facilitar o entendimento de tal tragédia, este mesmo elemento também pode ser chamado de canoa furada. Bem, elas são muitas. Posso enumerar aqui rapidamente alguns espécimes já catalogados: homens mulherengos (galináceos); homens que têm medo de compromisso; homens que são jovens (ou infantis) demais; que estão sempre passando por crises existenciais; carentes demais; relapsos demais; existem os boçais; os estúpidos; os sem-rumo; os sem ambições na vida; aqueles que ainda estão presos às mães; presos a antigas relações; workaholics; ratos de biblioteca; arrogantes; brutamontes; ogros (ou orcs urukais, como já havia anunciado John Ronald Reuel Tolkien em 1954, quando foi publicado a trilogia Senhor dos Anéis); pitbulls; encrenqueiros, etc. Enfim, todos homens problemáticos, com pendências & pendengas afetivas.

São estes seres que nos fazem andar para trás, voltar no tempo, ir de encontro à evolução (e não a favor dela). Eles não acrescentam nada ao histórico de relacionamentos. A não ser, lapsos temporais e lacunas sentimentais. Fica nos registros mentais das mulheres o sofrimento, o desgaste, as lágrimas, as noites sem sono e sonhos perdidos.

A minha missão aqui é fazer com que vocês atentem para o fato de viverem em canoas furadas e como livrar-se delas.

Imagino que todas vocês questionam o porquê de tantas canoas furadas gostarem de perder tempo com jogos. Não, não estou falando de jogo de futebol (apesar de torcedores fanáticos serem canoas semi-naufragadas), nem de jogos de carta (mas jogos de pôquer são péssimas desculpas para largar uma namorada sozinha no fim-de-semana à noite) ou mesmo de jogos de videogame (aqui um caso para se questionar a maturidade de seus alvos amorosos). Falo dos “joguinhos”. Dos colóquios flácidos (conversa mole). Dos testes. Homens adoram por mulheres à prova. Testar seu ciúme, conferir suas prioridades, ou simplesmente atordoar as mulheres. Não importa o quanto você diga que gosta deles, que demonstre... Eles sempre querem testar a sua paciência e sua tolerância com joguinhos psicológicos. E mais: se ele diz coisas como “você está linda hoje” e você retruca um “aposto que você diz isso pra todas”, acredite, ele diz! Há muito tempo que essa afirmação deixou de ser apenas um recurso de retórica para tornar-se um FATO. E provavelmente, ele concorde internamente: “sim, sua trouxa”!

Me desculpem pelo balde d´água-fria. Mas essa é minha função social: estalar os dedos diante do transe romântico de minhas leitoras/ouvintes. Faz parte da condição humana feminina sofrer, torturar-se e justificar o amado. Se ele faz algo errado, temos algo na ponta da língua para explicar uma ausência, uma grosseria, um deslize qualquer. E “a mulher super-interpreta tudo” (DOTY, Tofuh, 2007). Qualquer sinal de arrependimento ou “boa-ação” do ser é tomada como prova cabal de reciprocidade de sentimentos.

Eu recomendo a minhas pacientes que o primeiro passo para a cura (desses relacionamentos catastróficos) é a aceitação de que se vive em uma canoa furada. O segundo passo é a ação. E no final das contas, é tão fácil. Seguir em frente é fácil! Pode ser dolorido, mas esquecer não é um processo tão complicado. É tudo uma questão de auto-controle e bom senso. Afinal, um dia você já viveu sem essa pessoa. Por que agora ela tornou-se fundamental?

Bem, não vou me prolongar mais... já deu minha hora. Mas resumindo: não vou dar receitas aqui de como sair dessa. Cabe a cada uma aceitar seu destino ou contrariá-lo. As mulheres tem que parar um pouco de choramingar e pensar no que é melhor pra si. Relacionamentos devem ser agradáveis, prazerosos, construtivos. Quando ele não é assim, cabe a uma parte deste decidir se aceita esse tipo de “contrato implícito” com a outra pessoa.

Sejam felizes, minhas amigas!!! Que Freud esteja com vocês!!"


sexta-feira, março 09, 2007

O jornalismo sem-vergonha

Calma! Não se deixe enganar pelo título. Não vou falar dos picaretas da profissão, tampouco do oportunismo ou dos jornalistas sem talento. Nada disso. Vou falar do jornalismo sem vergonha de ser honesto às emoções e estilos.
Ser repórter tem seu lado ruim. É como se você não fosse "dono" das suas palavras (no sentido de propriedade mesmo, porque a responsabilidade pelo que você escreve é toda sua). Um dia você escreve e acha lindo. No outro, acorda e tudo está em desordem, garantindo a perfeita objetividade. Às vezes tenho raiva disso.
Tenho receio que, em nome da humanização da informação, tendo a ser prolixa, mesmo assim insisto. Sei que outros repórteres são talentosos para usar a literatura descartando os leads chatos e quadrados. Mas são poucos os resistentes.
É óbvio que se todos escrevessem com nariz de cera, como eu, o jornal teria 500 páginas. Como já teve em outros tempos, quando era semestral há séculos atrás. Mas uma ou outra matéria sempre se deixa escapar uma ambientação, um case mais emotivo, um jeito "João do Rio" de ver. Esse é o jornalismo sem-vergonha a que me refiro. O sem vergonha de viver o que se escreve. E é esse que eu ver tomar conta dos jornais. Quero ver a beleza de um texto bem escrito, sem depender da técnica para sobreviver.

Dica de site
www.gardenal.org

terça-feira, fevereiro 13, 2007

A esperança continua...

São relatos como o feito pela Ruby que nos motivam na profissão. A história do senhor Miguel me fez lembrar de uma vivenciada por mim.Assim que comecei fazer assessoria de imprensa, tinha uma visão muito simplista do que era "ser" assessora e toda sua relação clientelista com para a entidade que trabalha.Matérias boas só podiam ser plantadas, fruto de interesses parciais, políticos.Ainda no primeiro mês conheci dona Elisa. Sua filha, Rosana, me ligou numa manhã para dizer que iria à UBS (Unidade Básica de Saúde) Central e colocaria um cartaz falando do atendimento que lá deram a sua mãe.A desconfiança logo me bateu. Sistema público de saúde... Cartaz... Lá vem problema. Disse a Rosana que a procuraria para conversar melhor sobre todo o assunto, saber pessoalmente do que se passava. E assim fiz. Fui a casa de Rosana, que muito educadamente me contou que a própria mãe queria contar a sua história.Para minha surpresa, dona Elisa estava acamada em razão do câncer de mama, que já tratava há algum tempo. Muito constrangida, pedi desculpa pelo incômodo. Ela me advertiu: "incomodo nenhum, só quero agradecer pelos cuidados que tive".A história de dona Elisa, acredito, não vem ao caso,mas falando comigo ela tinha certeza que sua mensagem chegaria aos moradores de sua cidade."Põe no jornal, filha. Eles cuidaram muito bem de mim!"Não soube mais da dona Elisa, só sei que sua "mensagem" foi enviada. Quantas pessoas a matéria alcançou? Talvez muitas ou poucas, mas para aquela senhora, que fez questão de falar comigo, mesmo doente na cama, deve ter valido muito. Algo que faz com que o jornalismo leve algo de esperança. Pois ainda há.

domingo, janeiro 21, 2007

O jornalismo e a arte de conhecer gente

Descobri o que há de tão interessante no jornalismo. A profissão é a melhor maneira de se conhecer novas realidades, entender como as pessoas pensam e saber que há mundos diferentes que o da gente. É por isso que eu amo essa profissão.
Esses dias, conheci o seu Miguel. Homem de aproximadamente 50 anos, mas que aparenta 60. Casado com uma moça bem mais jovem - ou pelo menos parece ser mais nova -, ele tem cinco filhos. Na pequena casa, em cima de um morro, vivem oito pessoas. Logo quando entramos no morro, vimos as condições de vida daquelas pessoas. Gente bem humilde, com poucas condições.
A pauta era sobre a constante falta d'água em três bairros de uma cidade pequena chamada Rodeio. Fomos indicados a entrevistar pessoas de uma determinada rua, mas logo descobrimos que no morro, onde vive a família do seu Miguel, o problema era de proporções bem mais preocupantes. E realmente era.
Cerca de oito famílias dividiam o conteúdo de duas caixas d'água de 1000 litros. Todos os dias, eles enchem os reservatórios e usam até o início da tarde. Depois disso, simplesmente ficam sem água. Mas mesmo com dificuldade, seu Miguel é um homem como poucos.
Logo se nota que é uma pessoa honesta. Acompanhou nossa equipe na reportagem e, humildemente, convidou-nos para almoçar. Envergonhado, não queria entrar no carro para ir até local onde ficavam as caixas d'água, tivemos que insistir.
Quando nos despedimos, ele sorriu com confiança. Como se o problema fosse resolvido por que alguém o ouviu. Toda a região saberia como eles vivem. Eu me sensibilizei com a realidade deles e me senti gratificada. Ninguém mandou carta falando da matéria, mas não precisava. O sorriso de agradecimento de seu Miguel já havia dito tudo.