Oh, yeah!!! Like a Rolling Stone, babeDurante a XV Semana de Comunicação, participei de uma oficina de Crítica Cultural. A princípio seria com o Abonico (dos sites
Bacana e
RockPress), mas ela ficou a cargo do dindo Gadini. Com uma passagem ultrassônica sobre a história do jornalismo cultural, pulamos para parte prática: resenhar uma revista. Sim, eu achei estranho, mas fazer o quê... Aleatoriamente, escolhi uma coisa chamada
Céu Azul. Uma revista de bordo com uma seção gigantesca de piadas e duas matérias (um
resort em Trancoso, Porto Seguro; e uma narrativa do editor da revista sobre uma de suas viagens a África do Sul).
Enfim, o que eu não imaginava é que em breve, a oficina me seria útil.
Há alguns dias vi a notícia na internet, fiquei surpresa, mas cheguei a indagar se a novidade chegaria a Ponta Grossa. Sim, porque infelizmente quem mora na cidade fica a ver navios quando espera encontrar boas opções do circuito cultural nacional por aqui. Me refiro especificamente a filmes como
Zuzu Angel,
GarotaMá.com, e até filmes mais
light como
O Diabo veste Prada (que eu queria ver, hehehe). Bandas como
Cachorro Grande,
Los Hermanos (essa foi quaaaaase),
YYYs (por que não pensar grande???) passam pela capital, sem sequer espiar para o vizinho atrás da Vila Velha...
Na verdade, fui bem parcial nos exemplos, mas esses foram os casos em que fiquei decepcionada. Poderia citar outros, mas seria uma lista infinita. Mas o ponto em que quero chegar é que hoje eu me deparei com a primeira edição da
Rolling Stone brasileira numa banca na praça do Ponto Azul.
Uma revista grande, a primeira vista: 25,5x30,5 cm (o tamanho padrão é aproximadamente 21x29cm) e 142 páginas. Densa. Capa com Gisele Bündchen
muy roqueira num fundo prata. Chamadas no lado esquerdo: temas como psicodelia, política e confissões sexuais de Jack Nicholson. No lado direito: Franz Ferdinand, Beck, The Killers, New Order, Slayer, The Rakes e um destaque para a volta de Bob Dylan. Ou seja, a primeira RS verde-amarela traz muito do SEXO, DROGAS e ROCK’N’ROLL que embalou o momento histórico do surgimento da RS original, 39 anos atrás.
O editor Ricardo Cruz enche a boca para “dizer” no editorial que a RS 01 pretende seguir os passos da mãe, “
referência – senão máxima, muito próxima disso – do jornalismo cultural e político, questionador e transgressor, copiado à exaustão (não seria esse um chavão
?*) até hoje, aqui e em todo o canto.” É, a revista enche os olhos. Opinião e muitos, mas muitos colaboradores é o que não faltam. E vice-versa. Sobra opinião!
*meu comentário!Inclusive, fiquei surpresa com as matérias de política. Ricardo Soares, da TV Cultura, questiona nosso papel em colocar
Clodovis e
Malufs no Congresso, enquanto Cláudio Tognolli, (escritor, jornalista investigativo, colaborador da Caros Amigos, meu ídolo, hehehe) conversa com o advogado do PCC e declara: “polícia e traficantes são tudo farinha do mesmo papelote”!
Folheando a revista (ainda não li muita coisa....) deu pra identificar que a revista optou por uma diagramação
no blank spaces. Fotos chapadas, texto ocupando os ínfimos espaços. É tudo “blocadão”, textos bem maciços, com pequenos espaços para parágrafos. Letras pequeninas. Uauuu, é muita coisa pra ler. Parece diagramação de jornal tablóide, hummmmm, inclusive, olhando melhor agora, acho que ela tem o exato tamanho de um tablóide... curioso. A versão americana surgiu como jornal também.
Tentei identificar o público-alvo pela maneira mais fácil. Anúncios publicitários. Sabem, não achei ela cara, R$ 8,90. Eu não olhei, mas acho que ela é mais barata que a Revista MTV. Vamos aos anúncios... Podíamos dizer que ela é para jovens, quase adolescente, consumidores de Halls, Mc Donnalds, shampoo ÉH (nunca vi), Nescau Guaraná (ahnnnnnn????), Grendene etc. Mas poder aquisitivo e a faixa etária sobem: TAM, HSBC, Toyota, Suzuki, Kiamotors, Chevrolet, Volks, TVs Samsung... é, podemos retomar um pouquinho a idéia de
elite cultural aqui. Foras as marcas de roupas (dentro de uma seção sobre estilo de vestir de músicos), divulgação de CDs da TRAMA, rádios, cinemas, novela adolescente da Record (Alta Estação,
à la Malhação) e uma matéria sobre Harley-Davidson...
A revista possui muitas entrevistas com músicos, atores e artistas. Tem seções como a
Rock & Roll;
Acontece... ;
P&R (não sei o que significa, mas traz uma matéria com o André 3000 do Outkast);
Estilo (que eu já comentei, fala do modo de vestir);
Mix Mídia (sobre internet, trilhas de jogos, novas tecnologias) e os famosos
Guias e
Listas, com dicas do que fazer, assistir, comprar, ouvir, jogar, ler e tudo mais que os cinco sentidos permitam praticar com bens simbólicos...
A seção de cartas nos faz refletir sobre o papel deste novo veículo, e principalmente, nos alertar. Algumas personalidades saúdam a nova revista e compartilham suas expectativas. Roger Moreira (do Ultraje) pressiona: “Se for vendida, como praticamente toda a mídia brasileira, bem... será mais uma”. Outros, como Max de Castro, esperam que ela preencha a lacuna editorial de jornalismo cultural pop. Iggor Cavalera espera que ela abra espaço para o
udigrugid e Dinho Ouro Preto teme que ela seja hostil ao rock brasileiro. “Será que só apoiarão o rock independente?”, questiona.
Bem, é o que veremos a seguir, assim que a
Rolling Stone brasileira der seus primeiros passos. Eu vou ficando por aqui, vou ler mais um pouco. A pincelada foi geral, eu sei, mas ainda não olhei a sério o conteúdo jornalístico. E eu não queria deixar de mostrar minhas primeiras impressões com a revista e dizer que deposito algumas esperanças em iniciativas como essa dentro do jornalismo cultural. Que a RS venha pra ficar dessa vez (ela já tinha sido publicada aqui por um ano na década de 70) e que sacuda a poeira e a mesmice do mercado editorial brasileiro!!!
Hasta!!