>>>UATISDIS???

Em março de 2004, cinco amigas resolveram descrever seu cotidiano e publicá-lo pra quem quisesse ler. A idéia surgiu após perceberem que as situações vividas eram muito engraçadas e dignas de serem gravadas e lembradas. Na época cursavam o 4º ano de Jornalismo, respiravam e viviam seus tcc's. O estresse era constante e as incertezas do futuro faziam com que o blog fosse parte de um refúgio, assim como as festas que alguma delas não deixavam de ir.

sexta-feira, março 09, 2007

O jornalismo sem-vergonha

Calma! Não se deixe enganar pelo título. Não vou falar dos picaretas da profissão, tampouco do oportunismo ou dos jornalistas sem talento. Nada disso. Vou falar do jornalismo sem vergonha de ser honesto às emoções e estilos.
Ser repórter tem seu lado ruim. É como se você não fosse "dono" das suas palavras (no sentido de propriedade mesmo, porque a responsabilidade pelo que você escreve é toda sua). Um dia você escreve e acha lindo. No outro, acorda e tudo está em desordem, garantindo a perfeita objetividade. Às vezes tenho raiva disso.
Tenho receio que, em nome da humanização da informação, tendo a ser prolixa, mesmo assim insisto. Sei que outros repórteres são talentosos para usar a literatura descartando os leads chatos e quadrados. Mas são poucos os resistentes.
É óbvio que se todos escrevessem com nariz de cera, como eu, o jornal teria 500 páginas. Como já teve em outros tempos, quando era semestral há séculos atrás. Mas uma ou outra matéria sempre se deixa escapar uma ambientação, um case mais emotivo, um jeito "João do Rio" de ver. Esse é o jornalismo sem-vergonha a que me refiro. O sem vergonha de viver o que se escreve. E é esse que eu ver tomar conta dos jornais. Quero ver a beleza de um texto bem escrito, sem depender da técnica para sobreviver.